Dia Mundial da Criança: E se fossem eles a mandar no país?

Têm entre 8 e 9 anos e sabem que o país está em crise. Se mandassem, obrigavam os patrões a pagar mais aos empregados. E, sim, sabem para que servem as eleições, só acham que não valem a pena porque “os que são escolhidos cometem sempre os mesmos erros”

A palavra dinheiro surge várias vezes (demasiadas?) durante a conversa e isso é surpreendente porque ainda mal saíram da fase em que se brinca às princesas e aos piratas. Será porventura porque a crise lhes entrou pela porta de casa adentro, traduzida em coisas como a emigração e o desemprego. Sim, sabem que o país afundou numa crise que deixou muitas pessoas sem poder “por exemplo, alugar uma casa e comprar comida”. Por isso, se fossem primeiro-ministro, obrigavam os patrões a “pagar mais aos empregados” e “o mesmo todos os meses”. Não se imaginam com filhos porque, lá está, “se calhar não vai haver dinheiro para comprar roupas e comida”.

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A pensar no domingo passado  em que se comemorou por todo o lado o Dia Mundial da Criança, o PÚBLICO pediu a cinco alunos do 3.º ano do primeiro ciclo do básico da Escola João de Deus, no Porto, que se sentassem a uma mesa redonda a discutir os problemas do país. Sentados nas cadeiras, chegam bem com os pés ao chão mas apenas porque aquelas são feitas à sua medida. Têm entre oito e nove anos. Francisco, que se destaca do grupo pelos óculos azuis, decidiu que quer ser futebolista quando crescer. Samuel, o mais franzino, também e até já treina no Leixões. Leonor quer ser médica e sabe que a isso a obrigará a “ser sincera e cuidar bem das pessoas”. Beatriz, cabelo preso num rabo-de-cavalo, imagina-se veterinária, por causa da cadela Nina que dorme no seu quarto. João, o mais desenvolvido, casaco de fato-de-treino às riscas pretas e brancas, anuncia que quer ser polícia. “Para prender as pessoas que se portam muito mal”, justifica. “Se calhar vou ter que prender os que estão no Governo também”, acrescenta, dando o mote para a conversa que se prolongou por cerca de uma hora.

João: “Eu gosto de tudo [no país] menos do Governo”

No léxico de todos, substantivos como crise e desemprego tornaram-se familiares. “Crise é estar sem dinheiro. Os nossos pais trabalham e recebem cada vez menos dinheiro todos os anos”, define Beatriz. “A mãe do Francisco está desempregada. E a minha mãe também esteve”, diz Leonor. “A minha mãe já abriu uma espécie de ATL com a minha avó”, corrige Francisco. A minha irmã também está desempregada”, acrescenta João. “Algumas pessoas que ficam sem emprego perdem a casa”, precisa Samuel, ao que Francisco acrescenta: “E têm que pedir dinheiro porque já não podem comprar comida”.

Quanto à emigração, que é “ir para outros países arranjar trabalho”, Samuel e Francisco têm-na como inevitável, mas por razões diferentes das habituais: “Como vamos ser jogadores, se calhar vamos ser contratados por outros países”, explica Samuel. Descontada essa circunstância, todos se mostram pouco confortáveis com a ideia de serem forçados a partir. “Eu não quero, porque gosto muito do meu país. Da paisagem e isso… E deixar cá a família não seria nada bom”, perspectiva Leonor. Ao que João atira: “Eu gosto de tudo [no país] menos do Governo”. Porquê? “Porque é uma coisa má. Só nos deixa obedecer” e temos de estar sempre a pagar!”. Beatriz acrescenta que “o Governo manda pagar menos aos empregados e mais a quem manda nas empresas”. “E obriga-nos a pedir facturas”, soma Francisco. É então que Samuel vaticina, mãos entrecruzadas sobre o tampo da mesa: “Eu, particularmente, acho que todo o país detesta o Governo”.

Samuel: “Se fosse primeiro-ministro inventava uma regra que era os patrões darem mais aos empregados”

Tendo ficado assente neste quinteto que “quem Governa são os maus” – os tais que João admite vir a prender um dia -, a pergunta que se impõe é para que servem, afinal, umas eleições. Diz Beatriz: “Servem para os nossos pais escolherem os nossos governantes. Por exemplo, agora está um, não sei qual é, o PSD ou algum outro, a governar. Mas depois a parte má é que quem é escolhido faz sempre os mesmos erros. E eu não gosto nada disso”. João também não gosta. Francisco idem aspas: “As pessoas escolhem o seu preferido para tornar Portugal melhor, com mais dinheiro, e depois os preferidos acabam por tirar um pouco mais [às pessoas] ”. Depois de Samuel ter opinado que “as eleições são todos os anos” e que coincidem com o dia em que o seu avô faz anos, Beatriz decide precisar o que pensa sobre o assunto. “Com as eleições nós aprendemos quem é que faz mal ao país e quem não faz. É uma lição para votarmos noutros porque já aprendemos que quem lá está não é bom governante”. Logo, “as eleições servem para dizermos que quem lá está não é bom”.

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“SINAIS DO TEMPO”

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Necessidades Educativas Especiais (NEE)

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

A sociedade está em constante transformação levando consigo alterações que têm que se adaptar ao tempo, ao espaço e cultura, a todo um contexto sociológico. Outrora, a sociedade exigia e permitia determinados padrões de comportamento e regras que se esvaíram no tempo tendo-se transformado, nos dias de hoje, numa nova realidade. Toda esta evolução teve implicações a nível social, familiar e escolar, modificando o conjunto de ideologias vigentes até então.

Segundo Bourdieu, é através da socialização primária ditada pelas relações da classe da família que a criança apreende os princípios organizadores do comportamento. Isto é, a família é o marco mais importante para que a criança se organize a nível de comportamentos e afectos; é através da família que a criança cria as suas bases de formação enquanto indivíduo. A família torna-se o espelho social, em que a criança se reflecte e com o…

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“SINAIS DO TEMPO”

 

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

A sociedade está em constante transformação levando consigo alterações que têm que se adaptar ao tempo, ao espaço e cultura, a todo um contexto sociológico. Outrora, a sociedade exigia e permitia determinados padrões de comportamento e regras que se esvaíram no tempo tendo-se transformado, nos dias de hoje, numa nova realidade. Toda esta evolução teve implicações a nível social, familiar e escolar, modificando o conjunto de ideologias vigentes até então.

 

Segundo Bourdieu, é através da socialização primária ditada pelas relações da classe da família que a criança apreende os princípios organizadores do comportamento. Isto é, a família é o marco mais importante para que a criança se organize a nível de comportamentos e afectos; é através da família que a criança cria as suas bases de formação enquanto indivíduo. A família torna-se o espelho social, em que a criança se reflecte e com o qual se identifica, com os seus comportamentos e atitudes, quer tenham carácter mais positivo ou negativo, aos olhos da restante população.

 

Os avanços tecnológicos contribuíram para uma mudança de mentalidades, reflectindo-se nas atitudes e comportamentos das famílias e das crianças, em particular e na sociedade em geral. Se reflectirmos sobre as próprias brincadeiras e interesses, verificamos que, hoje em dia, estas estão cada vez mais centradas nas novas tecnologias (dvd’s, videojogos, computadores….), mais individualistas e mais sedentárias. O espaço físico passou do exterior para espaços fechados, as brincadeiras passaram de colectivas para “solitárias”, contribuindo para modos de vida completamente distintos, quer de adultos, quer de crianças, de há décadas atrás.

 

Estas mudanças tiveram implicações na estrutura familiar, quer a nível sexual, reprodutivo, económico e educativo.

 

No que diz respeito ao nível económico, o conceito de família também sofreu alterações. O casamento deixou de ser visto como um porto seguro em que a mulher necessitava casar para poder, legitimamente, “sair” de casa dos pais e adquirir estabilidade e liberdade financeira. Hoje, a mulher adopta outra postura, mais independente moralmente e financeiramente, mais segura relativamente a questões de sustentabilidade e tomada de decisão tais como a maternidade, o casamento, o divórcio.

 

No que concerne às necessidades sexuais/reprodução, a mulher já não desempenha apenas o papel de reprodutora, programa a gravidez consoante as suas prioridades e objectivos de vida. A própria decisão de ser mãe foi alterada com a legalização do aborto. Os filhos possuem agora uma função discrepante da que tinham anteriormente, deixando de ser unidade de produção para serem uma unidade de consumo. Ao contrário do que acontece no presente, o número elevado de filhos era sinónimo de fonte de rendimentos. Passámos, assim da família alargada para a família nuclear. A vida profissional cada mais activa das famílias não lhes permite ficar com os filhos, acabando estes por ficar entregues a instituições escolares cada vez mais tempo. Os pais acabam por trabalhar mais porque o nível de vida que pretendem alcançar assim o exige, acabando por não passar muito tempo com os filhos e compensando-os a nível material. Deste modo, os filhos tornam-se solitários e individualistas, tendo falta de afecto e convívio, tornando-se todo este sistema numa espécie de bola de neve, num ciclo vicioso, em que umas atitudes, levam a outras.

 

É neste contexto que a escola tem um papel fundamental, pois é lá que as crianças exprimem todas as suas emoções recalcadas e situações traumáticas. A família deixou mais uma vez de desempenhar a função de socialização da criança, cabendo agora este papel à escola.

 

A escola tem vindo igualmente a adaptar-se a todas as transformações vividas pela sociedade, na medida em que deixaram de existir as ditas turmas homogéneas e passaram-se a ter turmas heterogéneas. A figura do professor que outrora era inquestionável passou agora a ser posta em causa. Este passou a ser visto com outros olhos tanto pela família, como pela comunidade educativa em geral. Noutros tempos, a família estava alicerçada ao professor, tendo uma atitude de respeito e consideração pelo seu trabalho, enquanto que, actualmente, o mesmo é desvalorizado e colocado em causa, apesar do trabalho ser cada vez mais complexo, devido à heterogeneidade das turmas.

 

De facto, mudam-se os tempos e daí advém transformações nem sempre positivas, com as quais a escola tem de lidar. As crianças são cada vez mais “depositadas” nas escolas; os pais demitem-se dos seus papéis de educadores, passando a ser a escola a assumi-lo, devido às adversidades e alterações que a sociedade sofreu e que implicam estas atitudes tão diferentes de há umas décadas atrás.

 

Em todo este contexto, surgiu-nos uma questão, no nosso ponto de vista, muito pertinente: Terá a escola a capacidade de dar resposta a toda a esta complexidade de transformações?

Cursos E-learning – Formação em Dislexia, Disgrafia e Disortografia

 
Caros Colegas…
 
 
Muito interessante….  e sem sair de casa….
 
 
 
DATA
 
 
26 de Junho a 9 de Julho de 2010
 
 
 
 
 
DESTINATÁRIOS
 
 
Pais, educadores, professores e outros profissionais nas áreas da saúde e educação.
Mais informações…
 
 
 
 
 

Curiosidades….

Quem diria que Tom Cruise também é disléxico? Ou mesmo Einstein? Ou mesmo o vizinho do lado que tem um bom trabalho, uma boa casa, um bom carro e uma boa família! Afinal, a dislexia abrange todas as idades, raças, culturas, nacionalidade e religiões! Não pense que apenas pode acontecer aos outros!

Dislexia no Fantástico

Colegas, a dislexia é cada vez mais uma constante no nosso quotidiano. Nem sempre é fácil compreender esta problemática. Felizmente, ao longo dos tempos, tem-se vindo a desenvolver estratégias, formações e actividades para nos ajudar a lidar diariamente com a criança disléxica. O sofrimento das crianças com esta problemática, por vezes é invisível, a olho nú … mas, na realidade, não é bem assim! Repare neste video que nos ajuda a compreender a dislexia…