Metodologias e Estratégias de Ensino

Muita gente tem dislexia

Têm dificuldades em ler

Mas têm de treinar

Não há nada a temer.

Infelizmente não há xaropes que melhorem a capacidade de leitura (Antunes, 2009).

Mas existem algumas metodologias e estratégias que devem ser adoptadas para que a criança disléxica desenvolva as suas competências de leitura e escrita.

Os diversos agentes educativos implícitos neste processo, país, família, psicólogos e educadores têm um papel fulcral no processo de ensino-aprendizagem de uma criança com NEE, para que ela adquira ou reforce competências.

Deverá haver uma interacção entre todos agentes, para que os resultados sejam positivos e benéficos para a criança com NEE, auxiliando-a a progredir no quotidiano.

Os métodos são diversos mas os mais comuns são o método analítico, o método sintético que é considerado estritamente fonológico e método fonológico.

Numa dislexia de natureza auditiva é aconselhável utilizar-se o método analítico, na dislexia visual deve-se aplicar o método sintético e na dislexia fonológica deve-se utilizar o método fonológico.

A Associação Internacional de Dislexia promove activamente a utilização dos métodos multissensoriais, tais como: – Aprendizagem multissensorial -a leitura e a escrita são actividades multissensoriais.

As crianças têm que olhar para as letras impressas, dizer, ou subvocalizar, os sons, fazer os movimentos necessários à escrita e usar os conhecimentos linguísticos para aceder ao sentido das palavras.

São utilizadas em simultâneo as diferentes vias de acesso ao cérebro, os neurónios estabelecem interligações entre si facilitando a aprendizagem e a memorização. – Estruturado e Cumulativo – organização dos conteúdos a aprender segue a sequência do desenvolvimento linguístico e fonológico. Inicia-se com os elementos mais fáceis e básicos e progride gradualmente para os mais difíceis.

Os conceitos ensinados devem ser revistos sistematicamente para manter e reforçar a sua memorização.

- Ensino Directo, Explícito – os diferentes conceitos devem ser ensinados directa, explícita e conscientemente, nunca por dedução.

- Ensino Diagnóstico – deve ser realizada uma avaliação diagnóstica das competências adquiridas e a adquirir.

- Ensino Sintético e Analítico – devem ser realizados exercícios de ensino explícito da “Fusão Fonémica”, “Fusão Silábica”, “Segmentação Silábica” e “Segmentação Fonémica”.

- Automatização das Competências Aprendidas – as competências aprendidas devem ser treinadas até à sua automatização, isto é, até à sua realização, sem atenção consciente e com o mínimo de esforço e de tempo.

A automatização irá disponibilizar a atenção para aceder à compreensão do texto. Um dos princípios básicos na vida dos disléxicos que pode ajudar a adquirir competências é a rotina porque os disléxicos “(…) necessitam de estruturação e de organização nas suas vidas” (Tuttle&Paquette, 1994). Quer pais como professores podem aplicar algumas estratégias que ajudarão a criança disléxica.

Antunes (2009) refere que se devem fornecer instruções explícitas, tal como os enunciados devem ser claros, curtos, com letras bem legíveis e espaços adequados entre as palavras. E se necessário, as instruções deverão ser complementadas com informação oral.

Por sua vez, Henningh (2003, p. 35) defende que os professores devem tentar desenvolver métodos de ensino multi-sensoriais. Uma vez que materiais que implicam o uso da visão, do tacto e da audição são meios importantes de aprendizagem para estas crianças (Frank & Livingston, 2004).

O professor deverá ainda, segundo Henningh (2003, p. 35), promover uma visão positivista da leitura, para que a motivação seja cada vez maior. Antunes (2009, p. 66) também refere que o disléxico deve ter apoio suplementar com reforço positivo constante perante a leitura.

Quer seja em contexto escolar ou fora do mesmo, deve tentar-se minimizar o efeito “rotulador” do diagnóstico da dislexia, que poderá danificar a auto-estima da criança ou diminuir as expectativas que esta tem em relação a si própria ou aquela que os outros têm a respeito dela (Henningh, 2003).

Os padrões de leitura de pais, professores e alunos deverão servir de modelo à criança com dislexia para que ela compense e elimine os padrões típicos da dislexia (Henningh, 2003). Segundo Antunes (2009, p. 66) é importante mostrar à criança que a leitura é algo importante mas alguém terá de lhe ler primeiro. Tal como também se devem reforçar competências de leitura fundamentais, como o som, a letra e o reconhecimento de palavras (Henningh, 2003), através da utilização de todo o tipo de materiais, incluindo o próprio corpo, para desenhar as letras.

Especificamente, dentro da sala de aula com crianças disléxicas, podem adoptar-se diferentes metodologias da linguagem. Segundo Henningh (2003, p.55) existem quatro técnicas: leitura partilhada; leitura silenciosa orientada; ensino através do recurso a pares e tutórias estabelecidas com alunos de diferentes idades. Todas estas estratégias e metodologias vão variar consoante a idade e o nível de competência real da criança, tendo de se adequar às características da mesma.

No entanto, segundo Fichot (1972, p.55) estes métodos e estratégias dependem da precocidade da descoberta da dislexia; da extensão e da diversidade das perturbações e do comportamento da reeducação e da participação da criança e dos familiares. Existem, assim, facilitadores ou barreiras que poderão ajudar ou dificultar todo o processo de aprendizagem e de desenvolvimento das competências da criança dislexia.

10 pensamentos sobre “Metodologias e Estratégias de Ensino

  1. Pingback: Dislexia Tratamento – Método Fonomímico Paula Teles « Dislexicos's Blog

  2. Felicito-vos pelo vosso empenho, numa problemática tão relevante.
    Os materiais pedagógicos que nos deixam, são recursos pedagógicos de grande qualidade didáctica. continuação de muito sucesso nos vossos projectos académicos e pessoais.

  3. Felicito-vos pelo vosso empenho, numa problemática tão relevante.
    Os materiais pedagógicos que nos deixam, são recursos pedagógicos de grande qualidade didáctica. continuação de muito sucesso nos vossos projectos académicos e pessoais. Fátima de Almeida

  4. gostaria de saber sobre metodos de ensino para dislexios adultos,pois tenho 33 anos e só tive o diagnostico agora,estou cursando faculdade de veterinaria e dificuldades de apredizagem principalmente da comprienção da leitura,a faculdade disponibilizou nas avaliações,mas preciso de um metodo paraentender os livros no dia dia,atenciosamente aguardo uma resposta;grata!

  5. Tenho uma filha de 12 anos, descobri que ela tem uma dislexia leve, essa descoberta aconteceu quando ela passou para a 1ª série do Ensino Fundamental. Já procurei vários especialistas, mas no colégio que ela está fazendo o 5º ano, está tendo dificuldade principalmente nas Avaliações de ditado e interpretação de texto, por causa da leitura limitada,. Por favor, me diga, como poderia ajudá-la e também passar para a Professora da turma dela?

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