Caraterísticas

Há pessoas que têm dislexia

Mas isso não faz mal

Leonardo Da Venci fez invenções

E Beethoven um musical!

Antunes (2009, p. 52) afirma que não se pode diagnosticar dislexia, antes de uma criança iniciar a aprendizagem da leitura. No entanto, ao longo de décadas foram detectadas inúmeras características específicas que são mais evidenciadas e frequentes na criança disléxica.

Henning (2003, p. 22) enumera algumas dessas características:

- a lateralidade mista: não manifestar preferência pelo uso da mão esquerda ou da mão direita;

- a incapacidade de seguir uma sequência de instruções; não prestar atenção;

-  não conseguir estar sentado sem se mexer;

- perturbar os outros;

- irritar-se com facilidade;

- a teimosia;

- não concluir os trabalhos;

- e a imaturidade.

Para Rebelo (2001, p.113) os leitores fracos, nos quais se incluem os disléxicos, têm, também, dificuldades na orientação espacial.

Por sua vez, Frank (2004, p. 22) complementa as características anteriormente enumeradas com a auto-estima reduzida, as dificuldades de ortografia, dificuldades na leitura em voz alta; problemas em seguir indicações de orientação; realização demorada de trabalhos escritos; dificuldades na matemática e relutância em ir à escola.

As características de uma criança disléxica enumeradas por Antunes (2009, p. 52) vêm corroborar as anteriores descritas, afirmado, assim, que os sinais da dislexia são quando a criança está significativamente atrasada na capacidade de ler, não se prendendo apenas com a velocidade, mas que se estende também a trocas de letras e sílabas ou a desrespeito da pontuação ortográfica.

Assim sendo, agregadas a estas características têm também “(…) défice de atenção, perturbações motoras, distúrbios da linguagem, e naturalmente outras dificuldades de aprendizagem específica da escrita e cálculo” (Antunes, 2009).

Estas características estão relacionadas, respectivamente, com a Dislexia Auditiva e com a Dislexia Visual, dois dos tipos mais mencionados de Dislexia (Myklebust e Johnson, 1962 cit. in Valeti, 1990; Myklebust e Johnson, 1991 cit. in Cruz, 1999; Fonseca, 1999).

Assim, os problemas característicos dos indivíduos com Dislexia Auditiva são os seguintes:

1) Problemas na captação e integração de sons;

2) Não-associação de símbolos gráficos com as suas componentes auditivas;

3) Não-relacionação dos fonemas com os monemas (partes e todo da palavra);

4) Confusão de sílabas iniciais, intermédias e finais;

5) Problemas de percepção e imitação auditiva;

6) Problemas de articulação;

7) Dificuldades em seguir orientações e instruções;

8 )  Dificuldades de memorização auditiva;

9) Problemas de atenção;

10) Dificuldades de comunicação verbal.

Relativamente à Dislexia Visual, Fonseca (1999) indica como principais características as seguintes:

1) Dificuldades na interpretação e diferenciação de palavras;

2) Dificuldades na memorização de palavras;

3) Confusão na configuração de palavras;

4) Frequentes inversões, omissões e substituições;

5) Problemas de comunicação não verbal;

6) Problemas na grafomotricidade e na visuomotricidade;

7) Dificuldades na perepção social;

8 ) Dificuldades em relacionar a linguagem falada com a linguagem escrita.

França e Moojen (2006), referem, ainda, a existência de uma Dislexia Fonológica, que se caracteriza pela frequência de problemas no conversão grafema-fomena e/ou em vincular os sons parciais em uma palavra completa. As dificuldades encontram-se na leitura de palavras de baixa incidência, sílabas desconexas e pseudopalavras. As palavras familiares são lidas com razoável desempenho.

Há autores como Pinheiro (1995) que caracterizam esta dislexia, como uma incapacidade de descodificação fonológica grave, que se manifesta por um desempenho muito mau na leitura de estímulos familiares.
Contudo, as crianças não são iguais e há sempre diferentes espectros de dislexia, não havendo um padrão de dislexia definido (Antunes, 2009).

5 pensamentos sobre “Caraterísticas

  1. Boa noite,
    Quero deixar aqui o meu testemunho, como mãe da Mariana, uma menina a quem foi diagnosticado dislexia aos 8 anos.

    Aos 6 anos a minha filha entrou para o 1º ano, adaptou-se bem à escola e concluiu o 1º ano sem dificuldades.
    Nesse 1º ano de ensino, consegui aperceber-me que a Mariana tinha algumas dificuldades, mas no raciocínio matemático (tais como: ordenação por ordem decrescente, preenchimento de lacunas, etc…). Falei com o Professor, que me disse que era normal estas dificuldades no início da aprendizagem.
    No decorrer do 2º ano a Mariana continuou a ser boa aluna, empenhada, sociável e esforçada, lia sem dificuldades e interpretava os textos, no entanto, na expressão escrita começavam a sobressair os “erros ortográficos” e a troca de sons. Na matemática continuava a demonstrar dificuldades no cálculo mental.
    Nas férias grandes levei a minha filha ás consultas de despiste de dislexia……….e o resultado foi “quadro clínico compatível com Dislexia (Disortografia e ausência de Disgrafia )”.
    No início do ano lectivo entreguei o relatório clínico na escola e a Mariana tem sido acompanhada pela professora de apoio.
    Gostaria apenas de salientar que aquilo que me alertou para o facto de existir algo que não estava bem com a aprendizagem da minha filha foi a Matemática. Com a minha persistência e acompanhamento vamos conseguindo vencer as dificuldades escolares e a Mariana continua a adorar a disciplina de Português e não gostar de matemática.
    Se possível, gostaria de obter o vosso comentário ao meu testemunho.
    Obrigada
    Luísa

  2. Parabéns Luísa pois, geralmente os pais não aceitam as dificuldades que seus filhos apresentam, acham sempre que a culpa é do professor.
    Antes da criança estar em contato constante com a leitura, é muito precoce diagnósticar qualquer distúrbio por isso, os professores de séries iniciais não devem rótular uma criança como disléxia, ela pode estar apenas imatura para os demais colegas de classe e vale também lembrar que, só um gupo de especialistas como psicopedagógos, neurologistas,fonoaudiológos e etc,são capazes de diagnósticar qualquer distúrbio.

  3. Olá, eu tenho uma filha com 7 anos que está no 2ºano e tem muitas dificuldades deesde o 1º ano. Lê mal, escreve com muitos erros, confundido os sons principalmente os do n com r, dificuldade na matematica, dificuldade aprender o estudo do meio.
    Começou a falar pelos 18 meses, com 5 anos aprendeu as cores, nunca sabe qual a direita e a esquerda, algumas caracteristicas que podem revelar dislexia. A professora diz que´ela é imatura. Ela não tem dificuldades motoras pelo contrário e sempre se revelou esperta, prespicaz no dia a dia, sempre segura de si. Hoje não é assim, é uma criança insegura e a sua auto estima está a baixar. Já estou num processo de despiste da dislexia .

  4. Meu filho tem nove anos, sempre percebi suas dificuldades com a aprendizagem, levei a uma psicopedagoga que diagnosticou déficit de atenção. O próximo passo foi uma consulta a um neuropediatra, nesta consulta respondemos um questionário que também foi enviado para a escola responder e o diagnóstico também foi o déficit de atenção. O médico receitou a Ritalina para amenizar o problema.
    Mas não fiquei satisfeita, pois acompanho meu filho com as lições de casa e percebo que não se trata somente de falta de tenção, é mais complexo.
    Na hora de escrever as palavras é como se algumas sílabas não existissem, começa a palavra, pula uma sílaba e finaliza e pra ele é como se a palavra estivesse completa, escreve algumas letras espelhadas.
    Enfim, não consegue ler palavras mais complexas e nem escrever.
    Preciso de ajuda para poder ajudá-lo, pois percebo seu sofrimento.
    Como se faz um diagnóstico confiável? Por que os profissionais tem dificuldade em dar um diagnóstico sobre a dislexia?
    Obrigada, um abraço
    Silvana

  5. É pena que esta página não tenha um moderador que responda ás solicitações dos pais/enc. educ./ educadores, que os aconselhe, informe que lhes dê uma palavra numa altura em que muitos como eu precisamos de respostas. Somos deparados sem mais nem menos com um diagnóstico de dislexia procuramos informação, testemunhos em páginas como estas e parecemos que ficamos sozinhos.

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